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Bonsmara sobre Nelore: reter matrizes para a reprodução ou vender para abate? Especialista responde
Publicado em 04/08/2026
A retenção de fêmeas oriundas do cruzamento industrial é uma decisão estratégica que impacto direto na rentabilidade do sistema de cria. Durante o quadro “Giro do Boi Responde” exibido nesta terça-feira (4), o zootecnista Alexandre Zadra atendeu ao médico e pecuarista mato-grossense Antônio Carlos Zuntini. O produtor utilizou sêmen da raça Bonsmara na vacada Nelore via IATF, obtendo bezerras desmamadas com média de 240 quilos aos sete meses de idade.
Em sua resposta técnica, Alexandre Zadra contextualizou que o Bonsmara é um taurino adaptado desenvolvido na África do Sul pelo Dr. Jan Bonsma. A raça foi estruturada a partir do cruzamento da raça Sanga Afrikaner com os taurinos britânicos Hereford e Shorthorn. No Brasil, o trabalho de seleção genética vem priorizando linhagens com pelagem cada vez mais curta, garantindo elevada adaptabilidade e resistência ao calor úmido das regiões tropicais brasileiras.
O especialista explicou que o acasalamento do touro Bonsmara com fêmeas Nelore gera um produto com cem por cento de heterose funcional. As bezerras meio-sangue nascidas desse cruzamento possuem cerca de 80% de rusticidade tropical, aliando excelente habilidade materna, precocidade sexual e alta fertilidade. Diante desses atributos, a melhor decisão econômica é reter essas fêmeas na fazenda para atuarem como matrizes na reprodução.
Potencial do cruzamento e uso do tricross
A retenção das novilhas Bonsmara x Nelore permite ao pecuarista estruturar uma base de fêmeas altamente produtivas para o direcionamento de um programa de tricross. A heterose e a docilidade dessas matrizes favorecem o manejo no curral e elevam os índices de desmame da propriedade. Os machos irmãos dessas novilhas, por sua vez, expressam rápido ganho de peso e carcaças volumosas no abate.
Para o acasalamento dessas fêmeas F1 mantidas no plantel, Zadra orienta a escolha de raças de acordo com o sistema de recria da fazenda. Caso o objetivo seja realizar um cruzamento terminal com recria a pasto, a utilização de touros das raças Canchim ou Santa Gertrudis é uma alternativa eficiente. Esses acasalamentos geram bezerros pesados e estruturados com elevado rendimento de carcaça para a indústria.
Por outro lado, se a meta da propriedade for continuar retendo fêmeas de reposição de alta qualidade, o uso de bimestiços como Brangus ou Braford é o mais recomendado. O produto desse tricross mantém o pelo curto, elevada sanidade, excelente conversão alimentar e adaptabilidade ao ambiente tropical, garantindo lotes homogêneos e rústicos para dar sequência ao ciclo produtivo.

Decisão estratégica para a rentabilidade da cria
A retenção de novilhas de alto valor genético consolida-se como o caminho mais inteligente para pecuaristas que buscam acelerar o ganho genético do rebanho. Vender fêmeas com alto potencial reprodutivo apenas para o abate priva a fazenda dos benefícios de uma matriz eficiente, capaz de desmamar bezerros pesados por consecutivas safras no pasto.
A estratégia de acasalamento direcionada eleva o patamar de produtividade e garante flexibilidade na comercialização. O planejamento das estações de monta passa a responder com precisão aos objetivos nutricionais e de mercado da propriedade rural.
Entender o perfil das raças adaptadas e explorar a heterose máxima transforma o rebanho comercial em uma fábrica de carne eficiente. O investimento contínuo em genética de ponta e retenção de boas fêmeas assegura sustentabilidade econômica para a pecuária de corte.
