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Segundo Turno: O que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para o agro em seus planos de governo

Publicado em 05/10/2026

Com 96% das urnas apuradas neste domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Flávio liderava a apuração, enquanto Lula aparecia na segunda colocação. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Com a definição da disputa entre os dois candidatos, o Notícias Agrícolas reuniu as propostas apresentadas em seus planos de governo para temas ligados à produção agropecuária e às cadeias do agronegócio. Os programas de governo foram apresentados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral e estão disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que utiliza como principal fonte o sistema DivulgaCandContas.

A análise considera propostas relacionadas a crédito e financiamento, seguro rural, risco climático, irrigação, fertilizantes, logística, armazenagem, tributação, comércio exterior, tecnologia, biocombustíveis, política fundiária, rastreabilidade, meio ambiente, agricultura familiar e trabalho no campo.

Como esses assuntos aparecem em diferentes partes dos documentos, foram considerados também capítulos sobre infraestrutura, energia, tecnologia, economia, meio ambiente e relações internacionais, além das seções diretamente relacionadas à produção rural.

Crédito rural e endividamento

O programa de Lula afirma que pretende continuar fortalecendo o crédito rural, ampliar os recursos destinados ao Plano Safra e assegurar taxas de juros compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária.

O documento prevê priorizar o financiamento de máquinas, equipamentos, sistemas de irrigação e tecnologias voltadas ao aumento de produtividade, além de diversificar as fontes de recursos por meio do mercado de capitais e de títulos relacionados ao agronegócio e simplificar o acesso ao financiamento.

No programa de Flávio Bolsonaro, o capítulo dedicado a Agronegócio e Campo prevê a securitização e a reorganização das dívidas dos produtores rurais, associando as medidas à necessidade de oferecer horizonte de planejamento superior a um ano.

O Plano Safra também aparece em outro trecho do documento de Flávio, articulado a incentivos para utilização de biomassa.

Além do financiamento, os dois documentos tratam de instrumentos destinados à proteção da atividade diante de perdas.

Seguro rural aparece nos dois programas

Lula propõe fortalecer o seguro rural e prevê diálogo com o setor para viabilizar um instrumento destinado à mitigação de perdas sistêmicas provocadas por quebras severas de safra.

O programa também cita educação em gestão de riscos e a integração do seguro rural a mecanismos de comercialização e proteção financeira.

Flávio propõe ampliar o Seguro Rural. A medida aparece no mesmo conjunto de propostas que inclui a securitização e a reorganização das dívidas dos produtores.

A discussão sobre risco também avança, nos dois programas, para questões relacionadas ao clima, à disponibilidade de água e à irrigação.

Clima e irrigação

O programa de Lula prevê um programa nacional de resiliência climática rural, com ampliação das áreas irrigadas, conservação de solos, agricultura de precisão, plantio direto, monitoramento meteorológico e sistemas de alerta precoce.

O documento também relaciona a integração lavoura-pecuária-floresta à retenção de água no solo, redução de estresse térmico e gestão de riscos climáticos.

Flávio propõe ampliar a área irrigada no país, simplificar a concessão de outorgas de uso da água, desenvolver polos de irrigação no Matopiba e no Semiárido nordestino e ampliar o reúso de água em períodos de seca.

Em outro capítulo, dedicado à segurança hídrica, o programa também apresenta propostas relacionadas a barragens de usos múltiplos, reservatórios para controle de cheias, diques, canais, drenagem, macrodrenagem e sistemas de monitoramento e alerta.

Fertilizantes: os dois propõem ampliar a produção nacional

O programa de Lula afirma que pretende seguir acelerando a produção nacional de fertilizantes.

No capítulo dedicado à agricultura familiar, o documento também prevê ampliar a produção nacional de bioinsumos como estratégia para reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados.

Flávio propõe incentivar a produção nacional de fertilizantes a partir das reservas minerais brasileiras, incluindo potássio e fosfato.

No capítulo sobre energia, o documento também relaciona o aproveitamento do gás natural à produção de fertilizantes.

Da disponibilidade de insumos, os programas avançam também para a infraestrutura necessária ao transporte da produção.

Logística

Lula propõe manter, por meio do Novo PAC, a articulação entre investimentos públicos e privados em infraestrutura.

O programa prevê continuidade de obras públicas e concessões, novas concessões rodoviárias, ampliação dos investimentos ferroviários por novos projetos e repactuação de contratos, além de arrendamentos portuários e concessões de canais de acesso e serviços.

Também aparece no documento a proposta de planejamento de longo prazo para os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário, aéreo e marítimo.

Flávio prevê investimentos de R$ 900 bilhões ao longo de quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias.

Entre os projetos citados estão a Ferrogrão, a ampliação e conclusão da Transnordestina, uma ferrovia ligando Mato Grosso ao oeste do Paraná e de Santa Catarina e o desenvolvimento da hidrovia do Tapajós.

O documento também propõe a criação de Corredores Logísticos Inteligentes.

Armazenagem

O programa de Flávio propõe ampliar a capacidade nacional de armazenagem de grãos, associando a medida à melhoria das condições de comercialização para o produtor e à manutenção do abastecimento ao longo do ano.

O tema volta a aparecer no capítulo denominado “Brasil Mais Barato”, no qual o documento relaciona maior capacidade de armazenagem ao escoamento da produção e à oferta de alimentos na entressafra.

Tributação

Flávio propõe revisar e redimensionar a atual reforma tributária e medidas de elevação da carga tributária que o documento atribui ao atual governo.

Entre as propostas apresentadas estão redução da carga sobre produção e consumo, diminuição do IVA, garantia de não cumulatividade, unificação da legislação, desoneração de exportações e investimentos e redução de exceções.

No programa de Lula, a reforma tributária aprovada durante o atual mandato aparece principalmente como referência às medidas já adotadas.

Entre as propostas para o próximo período, o documento prevê, durante a regulamentação da reforma, utilização do Imposto Seletivo para desestimular produtos classificados pelo programa como prejudiciais à saúde.

Comércio exterior

Lula propõe continuar a abertura de mercados para produtos agrícolas e pecuários brasileiros.

O programa prevê fortalecer a diplomacia comercial, promover a imagem do agronegócio brasileiro, ampliar a atuação dos adidos agrícolas em mercados considerados estratégicos e realizar missões comerciais.

Em outro capítulo, o documento também prevê estímulo às exportações industriais, presença em novos mercados, produtos de maior valor agregado e fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial.

Flávio propõe buscar soluções diplomáticas para medidas que o próprio documento classifica como sanções impostas por Estados Unidos, China e países europeus a produtos brasileiros.

No capítulo de relações internacionais, o programa prevê negociações com China, União Europeia, Estados Unidos e mercados asiáticos, com o objetivo de ampliar mercados e avançar em acordos comerciais.

O documento também apresenta propostas de maior integração do Brasil às cadeias globais de valor, apoio à internacionalização de empresas e prioridade para setores como a agroindústria avançada.

Tecnologia, pesquisa e conectividade

O programa de Lula propõe fortalecer a Embrapa e ampliar investimentos em pesquisa agropecuária.

Entre os temas citados estão biotecnologia, edição genética e desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas e à seca.

O documento também propõe ampliar a conectividade rural e, no capítulo dedicado à economia digital, coloca o agronegócio entre os setores prioritários para difusão da inteligência artificial.

A ampliação do 5G em áreas rurais também aparece no programa, com prioridade para regiões do Norte, Nordeste e periferias.

Flávio inclui o agronegócio entre os setores contemplados por sua estratégia para inteligência artificial e prevê a expansão da conectividade para áreas rurais com baixa cobertura.

Biocombustíveis e bioenergia

Flávio propõe ampliar o uso de etanol, biodiesel, diesel verde — HVO —, combustível sustentável de aviação — SAF — e biogás.

O programa prevê implementar medidas associadas ao Combustível do Futuro, criar linhas específicas de financiamento para biogás e fortalecer e ampliar internacionalmente o RenovaBio.

No capítulo dedicado ao agro, o Plano Safra também aparece articulado a incentivos para uso de biomassa.
Lula propõe continuar ampliando a produção e o uso de etanol de milho e cana-de-açúcar, biodiesel e SAF.

O programa também prevê estimular o aproveitamento de resíduos e subprodutos agroindustriais na produção de bioenergia e biogás.

Terra e regularização fundiária

O programa de Lula prevê dar continuidade à reforma agrária, assentar famílias acampadas, estruturar assentamentos já existentes e ampliar o crédito fundiário.

O documento também propõe avançar na regularização fundiária, especialmente na Região Norte, acelerar a titulação de territórios quilombolas e ampliar a regularização dos territórios de povos e comunidades tradicionais.

Flávio propõe ampliar a regularização e a titulação de pequenos proprietários rurais. O documento relaciona a posse do título ao acesso a crédito e investimentos e prevê garantir segurança jurídica ao direito de propriedade.

Rastreabilidade aparece nos dois programas

Flávio propõe um sistema de rastreabilidade de cadeias produtivas que integre registros fundiários e ambientais, guias de trânsito animal, autorizações de supressão de vegetação e monitoramento por satélite.

Segundo o programa, o mesmo sistema deverá permitir identificar pequenos produtores e comprovar a origem da produção, com o envio das informações uma única vez.

Lula propõe implementar rastreabilidade individual de bovinos desde o nascimento até o abate, relacionando a medida ao atendimento de exigências de mercados internacionais.

Meio ambiente

Lula propõe recuperar pastagens degradadas, ampliar o melhoramento genético e a nutrição de precisão e estimular sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.

Na agricultura familiar, o programa prevê fomentar florestas produtivas e sistemas agroflorestais, além de incentivos à recuperação de áreas degradadas e à conservação de nascentes.

Em outro capítulo, aparecem propostas de rastreabilidade e mecanismos de diligência nas cadeias produtivas, além de monitoramento por satélite e uso de inteligência artificial no combate a crimes ambientais.

Flávio propõe consolidar o Cadastro Ambiental Rural e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais destinados à conservação e recuperação ambiental.

O programa cita preservação de vegetação nativa, recuperação de áreas degradadas e proteção dos recursos hídricos.

Também prevê mecanismos econômicos voltados a produtores, comunidades e proprietários que conservem vegetação nativa, recuperem áreas degradadas ou protejam recursos naturais.

Agricultura familiar

O programa de Lula possui um conjunto específico de propostas voltadas à agricultura familiar.

Entre elas está a continuidade da ampliação dos recursos do Plano Safra da Agricultura Familiar, com taxas de juros diferenciadas conforme o perfil do produtor e o produto financiado e prioridade para alimentos da cesta básica.

O documento prevê linhas de crédito destinadas à agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e aquisição de máquinas e equipamentos.

Também são citadas condições diferenciadas para jovens, mulheres, cooperativas e associações.

O programa propõe fortalecer o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ampliar a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), melhorar as condições sanitárias para comercialização interestadual de produtos das agroindústrias familiares e fortalecer programas de mecanização adaptada, como o Mais Alimentos.

Também aparecem propostas relacionadas ao Garantia-Safra, seguro rural, agroecologia, sistemas agroflorestais, bioinsumos, recuperação de áreas degradadas e proteção de nascentes.

Trabalho no campo

O programa de Flávio prevê ampliar a qualificação profissional e a intermediação de mão de obra para aproximar trabalhadores em busca de emprego e propriedades rurais com necessidade de contratação, especialmente durante períodos de colheita.

O documento também propõe que o trabalhador temporário ou contratado regularmente que dependia de benefício social possa voltar ao benefício caso necessite novamente.

Em quais temas os programas convergem

Os dois programas apresentam propostas relacionadas a seguro rural, irrigação, produção nacional de fertilizantes, tecnologia aplicada ao campo, conectividade, biocombustíveis, comércio exterior, regularização fundiária e rastreabilidade.

Também há propostas que relacionam a produção agropecuária a políticas ambientais.

No programa de Lula aparecem recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistemas agroflorestais, rastreabilidade e recuperação ambiental.

No de Flávio aparecem consolidação do Cadastro Ambiental Rural, pagamento por serviços ambientais, rastreabilidade das cadeias produtivas e recuperação de áreas degradadas.

No comércio exterior, os dois programas propõem ampliar o acesso do Brasil aos mercados internacionais.
Lula prevê novas aberturas de mercado, fortalecimento dos adidos agrícolas e realização de missões comerciais. Flávio propõe ampliar acordos, negociar com parceiros internacionais e aumentar a integração brasileira às cadeias globais de valor.

Onde as propostas divergem

No financiamento rural, Lula propõe ampliar recursos do Plano Safra, assegurar taxas de juros compatíveis com a atividade e diversificar fontes de financiamento. Flávio destaca securitização e reorganização das dívidas dos produtores.

Em infraestrutura, Lula vincula suas propostas ao Novo PAC, combinando obras públicas, concessões e planejamento multimodal. Flávio apresenta a previsão de R$ 900 bilhões em investimentos e nomeia projetos como Ferrogrão, Transnordestina, hidrovia do Tapajós e uma ferrovia entre Mato Grosso e o oeste do Paraná e de Santa Catarina.

Flávio apresenta uma proposta específica para ampliação da armazenagem de grãos. Lula detalha, dentro do capítulo dedicado à agricultura familiar, propostas para Plano Safra da Agricultura Familiar, PAA, ATER, Garantia-Safra, mecanização, agroecologia e linhas voltadas a jovens, mulheres, cooperativas e associações.

Na política fundiária, Lula propõe continuidade da reforma agrária, assentamentos, crédito fundiário, regularização de terras e titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais. Flávio concentra suas propostas na regularização e titulação de pequenos proprietários e na segurança jurídica do direito de propriedade.

Na tributação, Flávio propõe revisar a reforma tributária, reduzir a carga sobre produção e consumo, garantir não cumulatividade e desonerar exportações e investimentos. No programa de Lula, a reforma já aprovada aparece principalmente no balanço do atual mandato, enquanto uma das propostas futuras explicitadas é a utilização do Imposto Seletivo, durante a regulamentação, para produtos classificados pelo documento como prejudiciais à saúde.

Na área de trabalho rural, Flávio apresenta propostas específicas de qualificação e intermediação de mão de obra, além da possibilidade de retorno a benefício social para trabalhadores que voltarem a necessitar dele.

Fonte:https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/429078-segundo-turno-o-que-lula-e-flavio-bolsonaro-propoem-para-o-agro-em-seus-planos-de-governo.html