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Novilho Coop mira R$ 100 milhões em negociações na pecuária até 2027

Publicado em 30/07/2026

Cooperativa amplia poder de compra de médios e pequenos pecuaristas, economiza R$ 7,4 milhões aos associados e projeta dobrar volume negociado até 2027

A Novilho Coop movimentou R$ 39 milhões em negociações coletivas de insumos na pecuária em 2026, superando os R$ 25 milhões registrados em todo o ano passado. As operações realizadas pela cooperativa já geraram uma economia de R$ 7,4 milhões aos cooperados do estado do Mato Grosso do Sul e a expectativa é encerrar o ano com cerca de R$ 50 milhões negociados. Para 2027, a meta é alcançar R$ 100 milhões em operações.

O crescimento das negociações reflete uma mudança na organização da pecuária. Em vez de cada produtor negociar individualmente fertilizantes, nutrição animal, suplementos e demais insumos, a cooperativa reúne toda a demanda, promove concorrências entre fornecedores e fecha contratos de fornecimento de médio prazo. Com maior escala, os cooperados conseguem preços mais competitivos, enquanto as empresas passam a contar com previsibilidade nas vendas ao longo do ano.

Segundo o presidente da Associação do Novilho Precoce, Rafael Gratão, o modelo permite que propriedades de menor porte tenham acesso às mesmas condições comerciais dos grandes pecuaristas.

“A gente costuma falar que o produtor pequeno consegue negociar igual a um grande produtor. Ou seja, a cooperativa faz com que o pequeno se torne um grande negociador no mercado”, informou.

O dirigente explica que a negociação coletiva beneficia toda a cadeia produtiva. Além de reduzir o custo para os cooperados, os contratos oferecem segurança aos fornecedores, que conseguem programar a produção e organizar o fluxo de entregas durante todo o ano.

Na avaliação da cooperativa, o avanço do modelo também está relacionado ao crescimento da cultura do associativismo entre os pecuaristas. À medida que mais produtores passam a entender o funcionamento da cooperativa, aumenta o número de produtos negociados coletivamente e o volume financeiro das operações.

Hoje, a Novilho Coop reúne parcerias que vão desde serviços utilizados pelos cooperados nas cidades até produtos diretamente ligados à atividade pecuária, ampliando continuamente sua carteira de negociações.

Além da compra de insumos, a cooperativa também atua na comercialização dos animais. A entidade organiza a oferta de bovinos terminados para atender frigoríficos, garantindo regularidade na entrega e padronização dos lotes, fatores considerados fundamentais para atender tanto o mercado interno quanto as exportações.

Segundo Gratão, essa organização permite que a cooperativa participe diretamente das negociações com as indústrias frigoríficas.

“Nós estamos preparados para sentar numa mesa com uma grande indústria e falar: ‘Nós vamos fornecer 3 mil animais por mês’. Isso dá segurança para que o frigorífico feche contratos de exportação sabendo que terá oferta regular de animais”, destacou.

O dirigente destaca que esse formato beneficia toda a cadeia da carne, desde o pecuarista até o consumidor final, ao oferecer previsibilidade para a indústria cumprir contratos com varejistas e mercados internacionais.

Cooperativa quer dobrar negociações até 2027

Após movimentar R$ 39 milhões em compras neste ano, a Novilho Coop estima encerrar 2026 com aproximadamente R$ 50 milhões em negociações. Para 2027, a meta é praticamente dobrar esse volume, alcançando cerca de R$ 100 milhões.

Além do crescimento financeiro, a estratégia prevê a ampliação das áreas de atuação da cooperativa. Entre os projetos estão a entrada no transporte dos insumos adquiridos pelos cooperados, a implantação de um confinamento próprio para atender pequenos e médios produtores que não possuem estrutura para terminação de animais e a expansão do modelo para outros estados. A cooperativa já mantém conversas com grupos de produtores do Tocantins e contratou uma empresa para estruturar um modelo de franquias.

Além do crescimento nas negociações, a Novilho Coop quer levar o modelo de compras coletivas para outras regiões do país. A cooperativa já mantém conversas com produtores do Tocantins e contratou uma empresa especializada para estruturar um modelo de franquias, que permitirá replicar a experiência desenvolvida em Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, a expansão será gradual e priorizará um crescimento estruturado, com foco na consolidação da governança antes da entrada em novos mercados.

Cota da China reforça importância da organização dos produtores

A cooperativa também acompanha os impactos das restrições temporárias nas exportações brasileiras de carne bovina para a China. Segundo Gratão, o relacionamento próximo com frigoríficos permitiu antecipar parte dos abates e reorganizar a oferta de animais durante o período de menor demanda.

De acordo com ele, atualmente cinco plantas frigoríficas de Mato Grosso do Sul estão em férias coletivas, enquanto os cooperados reduziram o ritmo de entrega de animais para preservar a oferta até a retomada das compras chinesas.

“Houve uma preparação e uma organização. Hoje as fazendas estão com poucos animais prontos para o abate nesse período sem China. A expectativa é aumentar novamente a oferta entre outubro e novembro, quando esperamos a retomada das compras”, afirmou.

Segundo o presidente, esse planejamento mostra outro benefício do cooperativismo, a capacidade de coordenar decisões entre produtores e indústria diante de mudanças no mercado internacional, reduzindo impactos sobre a rentabilidade das propriedades.

FONTE: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/novilho-coop-mira-r-100-milhoes-em-negociacoes-na-pecuaria-ate-2027/