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Nova rota pela Guiana deve reduzir custo de exportação de grãos de Roraima

Publicado em 14/04/2026

Rodovia que liga Boa Vista ao porto de Georgetown reduzirá em 10 dias o trajeto até o Canal do Panamá; percurso ainda aguarda pavimentação e ponte

Uma nova fronteira logística começa a ser desenhada no extremo norte do Brasil, prometendo revolucionar o escoamento da produção agrícola de Roraima. Uma rodovia que liga o estado brasileiro ao recém-inaugurado porto de Georgetown, na Guiana, deve facilitar o acesso ao Canal do Panamá, reduzindo drasticamente os custos e o tempo de transporte de grãos para mercados estratégicos, como os Estados Unidos e a Ásia.

Os repórteres Valteno de Oliveira e Dênio Gonçalves percorreram o trajeto em uma expedição composta por produtores agroindustriais e empresários. Atualmente, a logística da região depende de um caminho longo e custoso: a soja e o milho descem de caminhão de Boa Vista até Manaus, seguem pelo Rio Amazonas até o Oceano Atlântico e só então partem para o Canal do Panamá. Com a nova rota, a carga subirá diretamente por terra até o litoral guianense.

Redução de custos e competitividade no agro

A viabilização deste corredor é vista como um marco para a competitividade do agronegócio brasileiro. Segundo o empresário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, a diferença temporal é impressionante: enquanto a soja que sai do Porto de Paranaguá (PR) leva cerca de 14 dias para atingir o Canal do Panamá, o produto escoado pela nova rota de Roraima deve completar o percurso em apenas quatro dias.

Para os produtores locais, que ocupam cerca de 150 mil hectares de cultivo de soja, a logística tornou-se o principal desafio após décadas de instabilidade jurídica. Muitos desses agricultores, oriundos do Sul do Brasil, migraram para Roraima nos anos 80 e 90, onde transformaram o estado em um polo arrozeiro antes de serem deslocados pela demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Hoje, consolidada a produção de milho e soja em novas áreas, o foco está na infraestrutura de transporte.

Desafios de infraestrutura e integração regional

Apesar do otimismo, o projeto ainda enfrenta obstáculos físicos significativos. Após cruzar a fronteira em Lethem, onde os motoristas precisam se adaptar à “mão inglesa” de direção, o que se encontra é uma estrada de terra extensa e empoeirada. São quase 300 quilômetros que ainda aguardam pavimentação asfáltica para permitir o tráfego pesado de carretas.

Além do asfalto, o governo da Guiana precisará construir uma ponte sobre um grande rio localizado a cerca de 200 quilômetros de Georgetown, substituindo as atuais travessias precárias.

Para os produtores, a nova ligação será uma “via de mão dupla”. Segundo o produtor de sementes Gabriel Caus, além de baratear a exportação, a rota facilitará a importação de insumos essenciais, como calcário e adubo, que poderão entrar no Brasil com custos reduzidos. A Guiana também é vista como um potencial mercado consumidor para os produtos brasileiros, fortalecendo a integração comercial entre os dois países.

Fonte: https://www.band.com.br/noticias