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Agro registra recorde de recuperações judiciais

FONTE: BRASILAGRO

Imagem Reprodução Blog Soluções Industriais

Levantamento do Serasa Experian registrou 1.990 solicitações, um crescimento de 56,4% em relação ao ano anterior, refletindo o aperto nas margens do setor.

O setor do agronegócio alcançou uma marca preocupante em 2025, com o maior número de solicitações de recuperação judicial da história. Segundo levantamento do Serasa Experian, foram registrados 1.990 pedidos no ano passado, um aumento significativo de 56,4% em comparação a 2024, quando houve 1.272 solicitações.

O volume considera a soma de três frentes da cadeia produtiva: produtores rurais que atuam como pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica e empresas relacionadas ao setor. Os dados revelam uma tendência crescente de inadimplência no agronegócio nos últimos anos, considerando que em 2023 foram registrados apenas 534 pedidos.

Fatores que impulsionaram a crise

 

Entre os principais fatores que contribuíram para esse cenário estão a queda e posterior estabilização dos preços das commodities, após um período em que muitos produtores se encontravam altamente alavancados. O setor enfrentou custos elevados na aquisição de fertilizantes, especialmente durante o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, enquanto simultaneamente observava a redução nos preços de seus produtos.

 

O cenário atual apresenta incertezas adicionais com o conflito no Oriente Médio, que pode impactar tanto os preços das commodities quanto os custos de produção. Alguns analistas sugerem que parte dos pedidos de recuperação judicial pode estar sendo utilizada como mecanismo para postergar dívidas, mesmo por produtores que não estariam em situação financeira crítica.

 

Impacto no sistema de crédito

 

A onda de inadimplência tem gerado consequências diretas na oferta de crédito para o setor. O Banco do Brasil, principal instituição financeira no crédito rural brasileiro, viu a taxa de inadimplência saltar de 0,94% para mais de 5%, conforme seu último balanço.

 

Essa situação resulta em condições mais restritivas de crédito para todos os produtores, mesmo os adimplentes, com recursos mais limitados e exigências maiores de garantias. As empresas envolvidas na cadeia de financiamento estão impondo mais restrições, tornando mais difícil o acesso ao crédito tanto público quanto privado, incluindo mecanismos como LCA, CPR e FIAGRO.

 

A alta dos juros também tem contribuído para um comportamento mais cauteloso dos produtores rurais, que estão mais reticentes em assumir novos financiamentos diante das dificuldades do setor. A recente alta nos preços dos grãos pode oferecer algum alívio, mas o cenário para a próxima safra ainda permanece incerto (CNN, 9/3/26)

 

BB abre campanha de renegociação de dívidas em meio a alta da inadimplência

Inadimplência do agro preocupa o banco.

Iniciativa faz parte do programa Mutirão Nacional de Negociação e Orientação Financeira, promovido pela Febraban, que se estende até 31 de março.

O Banco do Brasil abriu uma nova campanha de renegociação de dívidas, em meio à escalada da inadimplência em um cenário de juros restritivos. Segundo a instituição financeira, os descontos podem chegar a 90%, conforme o perfil e a situação de cada cliente.

 

O processo é conduzido pelos canais de atendimento do banco. O gerente executivo da Unidade de Cobrança e Reestruturação de Ativos do BB, Daniel Brum, explica que o cliente não precisa enviar documentos.

 

“Caso a renegociação não esteja disponível de forma automática, o cliente deve procurar sua agência de relacionamento para atendimento personalizado”, comenta.

 

A iniciativa é parte do Mutirão Nacional de Negociação e Orientação Financeira, promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos). O programa se estende até 31 de março (CNN, 9/3/26)